O chefe da organização, Antônio Carlos Araújo Fonseca, 42 anos, também conhecido como "Gordão", "Paizão" ou "Suka" gerenciava todo o esquema de dentro de uma penitenciária, onde cumpre pena há 24 anos. O grupo prestava conta de todas as ações ao chefe, filmando todo o processo de planejamento das ações. Em seguida, as imagens eram enviadas para Antônio Carlos.
Na manhã de hoje, foram presos preventivamente, Gustavo Henrique Soares dos Santos, 23 anos; André Luiz Nascimento Teixeira, 27; Washington Lana, 31; Aline Augusta da Silva, 29; Debora Cristina Machado Maciel Pedro, 21; Flávia Paula de Barros, 42; Victor Augusto dos Santos, 24, e Diego Junior de Oliveira, 28. Antônio, que já se encontrava no Sistema Prisional, também teve o mandado de prisão preventivo cumprido. A partir de informações levantadas pela PCMG, o suspeito Diego Junio foi preso pela Polícia Civil do Espírito Santo. Roberson Duarte Meira da Silva, 27 anos, continua foragido.
Em junho de 2018, os suspeitos invadiram, armados, um shopping em Betim, e realizaram o roubo em uma loja. Enquanto realizavam as investigações desse crime, os policiais civis iniciaram o monitoramento da organização criminosa. Ficou, então, constatado que os suspeitos pretendiam roubar uma conhecida rede de drogarias no centro de Contagem e, em seguida, uma joalheria no Pátio Savassi, em Belo Horizonte.
"Com a ação criminosa na joalheria, os criminosos esperavam obter lucro aproximado de mais de dois milhões de reais, com roubo de relógios da marca Rolex, além das armas e coletes balísticos dos seguranças", revelou o Delegado Marcus Vinicius Lobo Leite Vieira, da 1ª Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). No dia 05 de outubro do ano passado, durante o roubo à drogaria, os suspeitos renderam aproximadamente 15 clientes e funcionários e os mantiveram reféns. Quando saíam do estabelecimento, os dois suspeitos que participavam do crime foram presos em flagrante.
Ainda segundo o Delegado Marcos Vinícius, "a organização criminosa ainda tinha ramificações nas cidades de Cláudio, Carmópolis de Minas, Betim, Contagem, além de Belo Horizonte e Ibirité, onde os suspeitos torturaram uma jovem de 18 anos e rasparam a cabeça dela porque a menina teria interferido na relação do 'Paizão' com outra jovem".
As investigações revelaram, ainda, que os integrantes tinham funções específicas na organização criminosa: Flávia atuava no fluxo financeiro do grupo criminoso e Débora, ex-companheira do 'Paizão' atuava levantando informações sobre os estabelecimentos que seriam roubados. Já os irmãos Victor e Gustavo, que também trabalhavam em um aplicativo de carros, eram considerados os motoristas do grupo. Os demais realizavam os roubos e escondiam os produtos, sendo que Aline muitas vezes atuou como olheira, avisando sobre a chegada da Polícia. "Os suspeitos gastavam cerca de três a quatro minutos nas ações e são responsáveis por diversos crimes praticados nos anos de 2018 e 2019, todos planejados pelo líder do grupo, que mesmo de dentro de uma penitenciária, conseguia planejar e ordenar a prática dos crimes", explicou o Delegado.
Os trabalhos investigativos revelaram ainda um esquema de roubo e clonagem de veículos para serem usados nos crimes. A organização criminosa chegou a roubar, na cidade de Cláudio, um trator avaliado em R$65 mil. Com a prisão dos membros do grupo, a Polícia Civil desarticula o esquema de roubos que alimentava ações em todo o estado. As buscas por Roberson Duarte continuam em andamento para realizar a prisão do investigado.



