PCMG prende suspeitos por diversos crimes em Brumadinho

Por ASCOM-PCMG 15/02/2019 08h22

Divulgação/PCMG

Se aproveitando do rastro de tristeza que a lama do rompimento da barragem Córrego do Feijão deixou, pessoas tentaram e ainda tentam tirar algum proveito da situação. É o que vem ocorrendo na cidade de Brumadinho, desde o dia 25 de janeiro, quando o fato ocorreu.

Várias pessoas já foram presas e outras estão sendo investigadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) cometendo crimes como furto, estelionato, usurpação de função pública e voo não autorizado com drones.

Só na Delegacia de Polícia em Brumadinho já foram registradas 21 ocorrências de furto, dois de estelionatos consumados, uma de tentativa de estelionato, uma de usurpação de função pública e duas de voo não autorizado com drones, além de um registro, em Belo Horizonte, de tentativa de estelionato, estelionato consumado e usurpação de função pública. Nestas ocorrências, seis pessoas foram presas em flagrante, dois Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO) foram feitos e diversos inquéritos policiais foram instaurados. As investigações, em todas as situações, estão em andamento e bem adiantadas.

Entre homens e mulheres, os suspeitos presos têm idade entre 22 e 69 anos. Os crimes de furto ocorreram em lojas de roupas e casas ¿abandonadas¿ por pessoas atingidas pelo rompimento da barragem. Foram levados diversos objetos, como material de higiene pessoal, roupas, utensílios domésticos, telhas e móveis. Já os estelionatos, em sua maioria, visam à doação anunciada pela Vale ou depósitos direto em conta bancária, além de celulares e chips para aparelhos.

Os crimes cometidos variam suas penas de três meses a cinco anos, sendo: Art. 261 - Expor ao perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea, com pena de reclusão de dois a cinco anos; Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: pena de reclusão de um a quatro anos e multa; Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: pena de reclusão de um a cinco anos e multa e o Art. 328 ¿ Usurpar o exercício de função pública: pena de detenção de três meses a dois anos e multa, podendo aumentar conforme o parágrafo único do mesmo artigo para dois a cinco anos e multa.

Segundo a Delegada Ana Paula Gontijo, Titular da Delegacia de Brumadinho, nestes crimes de estelionato, por exemplo, as pessoas investigadas relatavam ter parentes vitimados no acidente. "Uma das suspeitas, da cidade de São Paulo, chegou a nos contar que sua irmã havia falecido na pousada atingida pela lama, mas, na verdade, descobrimos que ela não possui irmã alguma. Já a outra, do estado do Paraná, afirmou que sua filha estava desaparecida no acidente, mas ela confessou posteriormente ser uma inverdade, já que sua filha está viva e reside no estado do Mato Grosso", relatou.

Um dos furtos ocorrido logo nos primeiros dias após o fato tem como suspeita uma senhora de 40 anos, que havia se cadastrado como voluntária na Vale para separar as doações de roupas e alimentos recebidos. De acordo com a vendedora da loja Maroto Moda Feminina, Sandra de Souza Prado, vítima do furto, ela chegou na loja com colete de voluntária e crachá, identificando-se e contando que precisava da doação de uma bermuda para usar em uma senhora que estava em um asilo e não tinha o que vestir. "Ela contou uma história comovente e doamos. Aproveitando-se da nossa distração, ela furtou uma blusa e saiu da loja como se nada tivesse ocorrido", contou.

A gerente da loja, Marcélia Gomes, relatou que assim que os funcionários perceberem o furto a chamaram e juntos conseguiram pegar a suspeita em outra loja. "Fomos atrás e conseguimos pegá-la. Neste momento, passava uma viatura da Polícia Civil que nos ajudou e a prendeu imediatamente. Ela levou os policiais a uma sorveteria, onde estava guardando diversas roupas e outros materiais que havia subtraído de outras lojas, além de roupas que foram recebidas nas doações", explicou.

Marcélia também externou sua indignação com os crimes ocorridos após a tragédia. "As pessoas estão usando de um momento muito difícil para todos nós para tirar algum proveito financeiro. Esta mulher contou ser vendedora e por isto estava furtando as roupas doadas e das lojas, o que é um absurdo. É muito triste toda essa situação, estamos indo, diariamente, em oito ou dez velórios de nossos amigos ou familiares¿, relatou.

De acordo com a Delegada, as pessoas estão se aproveitando do momento frágil da população para conseguirem ilicitamente ganhos próprios. "É muito importante que todos fiquem atentos a telefonemas ou contato pessoalmente com solicitação de doações, assim como quaisquer ligações que tenham alguma relação com a tragédia, pois, infelizmente, muitos estão querendo se aproveitar da consternação da sociedade para tirar algum proveito," afirmou.

Gontijo também contou que os trabalhos investigativos estão em andamento para a identificação dos suspeitos e que a PCMG está atenta e agindo de forma célere para a prisão de todos os envolvidos. "Estamos trabalhando com inteligência investigativa para que todos aqueles que queiram cometer estes crimes ou outros sejam presos. Além disso, diversas diligências já foram realizadas, em breve, teremos resultados precisos para todos os crimes", disse.

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