O Chefe da PCMG foi convidado a presidir a primeira mesa, cujo tema foi "Gerenciamento de Respostas em Catástrofes". Com ele, estavam o Coordenador Estadual Adjunto da Defesa Civil, Tenente-Coronel Flávio Godinho; o porta voz da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Major Flávio Santiago; o Comandante da Companhia de Busca e Salvamento do Batalhão de Emergências Ambientais e Respostas em Desastres (Bemad), e, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, (CBMMG), o Capitão Leonard Farah e o Tenente Pedro Aihara. O Simpósio foi promovido pela Faculdade IPEMED de Ciências Médicas, em Belo Horizonte.
O Tenente-Coronel Flávio Godinho falou sobre "A Realidade Estadual de Minas Gerais", apresentando diagnóstico e classificação das barragens no estado, além de destacar os riscos e o trabalho de prevenção. "Peço que você abrace a pessoa que está ao seu lado", propôs Godinho no início da palestra. Em outro momento, fez soar a sirene de alerta para o risco de rompimento de barragem e propôs uma reflexão: "não podemos deixar de nos colocarmos no lugar das pessoas que são atingidas por esta realidade". O Major Flávio Santiago expôs acerca dos procedimentos de segurança. "O rompimento da barragem, em Brumadinho, foi também um momento de muito aprendizado para todos nós, principalmente sobre abordagem de pessoas, acolhimento e mediação de conflito", ressaltou.
Do CBMMG, Leonard Farah trouxe questões sobre "Abordagem, Busca e Salvamento de vítimas em Locais de Desastres". "Nesse cenário, e com o passar dos dias, as pessoas questionam sobre até quando vão às buscas. Mas durante o trabalho não se pensa em encerrar e sim em avançar, ir até onde tiver possibilidade", pontuou. Já o Tenente Aihara abordou o tema "Gerenciamento de Crise". Na palestra, ele ressaltou sobre como se organizar é fundamental para a atuação integrada das forças de segurança. "Cada força de segurança deve compreender qual é o seu lugar nesse cenário e como irá colaborar. Lembrando, sempre, que a demanda principal é da vítima", concluiu.
O Chefe da Polícia Civil também destacou a importância da atuação integrada. "É um trabalho complexo, realizado com excelência. Aproveito também para cumprimentar todos os profissionais envolvidos no processo de identificação das vítimas fatais do rompimento da barragem de Brumadinho. O trabalho só termina após a identificação de todas as vítimas", reforçou Wagner Pinto.
Presidindo a Mesa "Atuação Multiprofissional em Grandes Desastres", o Delegado Assistente da Chefia da PCMG, Arlen Bahia, direcionou os trabalhos, entre os quais foram abordados temas da polícia técnica-científica. O legista Élcio Nascentes Coelho falou sobre "Perícia Médica para avaliação do dano pessoal psicofísico pós-traumático" e "O papel do médico legista" foi discorrido pelo legista Leonardo Santos Bordoni. "Devido à natureza do desastre ocorrido em Brumadinho e ao estado de decomposição dos corpos, a identificação das vítimas envolve uma força-tarefa multidisciplinar. Nosso trabalho é devolver o nome dessas pessoas. E isso também ajuda a devolver, de alguma forma, a memória dessa pessoa a seus familiares", declarou Bordoni. Ele também explicou sobre o processo de gerenciamento do fluxo para identificação das vítimas, conhecido pela sigla DVI - Investigação de Vítimas de Desastre, já que o gabinete do DVI foi instalado no IML.
Para o Delegado Arlen Bahia, foi um momento para compartilhar experiências e debater sobre os temas apresentados. "Hoje, a tragédia em Brumadinho completa quatro meses. E eu, que acompanhei os trabalhos in loco, ressalto a importância dos temas abordados no Simpósio, seja para a comunidade acadêmica seja para os profissionais das forças de segurança", afirmou.



